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  • Valter Nagelstein

Sobre vidas e armas

- O autor é vereador de Porto Alegre, ex-presidente da Câmara.

valtern@camarapoa.rs.gov.br

Em artigo publicado em ZH em 23 de março de 2017, tenta-se minimizar as manifestações que crescem, em especial no seio da sociedade gaúcha, pelo direito à legítima defesa, ao direito do cidadão à opção de ter uma arma de fogo para a sua defesa pessoal, a de sua família ou a de sua propriedade, com a utilização de argumentos e citações baseados em sofismas, enquanto gerados por meias verdades e dados incompletos. Como exemplo, o articulista cita o comissário de polícia de Nova York, William Bratton, que introduziu um duríssimo programa de segurança pública, no qual o combate às armas ilegais era somente um dos pontos cruciais das ações policiais desenvolvidas à época. O programa, na realidade, foi baseado no conceito de "tolerância zero", em que todo e qualquer delito passou a ser combatido com intensidade.

No que concerne às armas em particular, a ação policial esteve voltada unicamente no combate às armas ilegais, jamais se fez qualquer combate às que estavam na posse dos cidadãos de bem, de acordo com os parâmetros legais, a diminuição expressiva dos índices de homicídios está diretamente ligada a esta ação de planejamento global, e não, como se tentou erroneamente argumentar, em função somente do combate às armas. As manifestações, a que se referiu o artigo citado, não são pela ode às armas como foi sutilmente orientado, mas elas estão ocorrendo por valores muito maiores, pela vida e pela liberdade do indivíduo em conduzir o seu próprio destino.

O direito de posse ou porte de uma arma é, antes de tudo, uma forma de minimizar o desequilíbrio na segurança pública que, por decisão de um governo, dissociada da cabal maioria da população brasileira, entregou à criminalidade o monopólio da violência. De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública do nosso Estado, no âmbito da região metropolitana da nossa Capital, entre 2002 e 2016, crimes como o de homicídio e o de roubo de veículos tiveram o absurdo aumento em seus índices da ordem de 212% e 246%, respectivamente. Isso é fato. Qualquer outra coisa mais se adequa ao campo da discussão ideológica sobre manipulação e controle ditatorial da população de um país.


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