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  • Valter Nagelstein

Guardadores de Carros ou Flanelinhas, qual a diferença?

- O autor é vereador de Porto Alegre, ex-presidente da Câmara.

valtern@camarapoa.rs.gov.br

Segundo o define o dicionário da língua portuguesa, trabalho é o conjunto de atividades produtivas ou criativas que o homem exerce para atingir um determinado fim.

Também na definição do vernáculo, profissão é a especialização e o exercício regular e contínuo do trabalho em uma determinada área.

Há muito tempo se discute se é trabalho ou se é profissão a atividade de “guardar carros”.

Há os que olham sob o prisma de uma necessidade de determinadas pessoas que, em não tendo outras oportunidades, fazem desse meio um modo de vida.

Essa é a questão: é aceitável que se permita que para justificar uma suposta dificuldade social e econômica pessoas se dediquem ao ócio, sem nenhuma função produtiva e cobrem ou exijam dinheiro para que zelem pela integridade do patrimônio móvel de outras pessoas?

Em um país pródigo em demagogia, em certo momento se regularizou a dita profissão.

De forma surreal, defensores de um pseudo-humanismo quiseram criar uma diferenciação entre “guardadores de carros” e “flanelinhas”, afirmando que a atividade dos primeiros era legal e dos segundos ilegal e abusiva. Ora, na prática, não existe essa distinção. A ocupação é fruto da leniência com que a sociedade brasileira trata a preguiça. A cidade precisa de capina, recolhimento de lixo, serventes de obras, só para citar algumas atividades laborais que abrigam pessoas menos instruídas intelectualmente, mas dispostas a uma postura produtiva. Mesmo pessoas que não gozem de boa saúde, têm albergue em amparo governamental previdenciário.

Porto Alegre baniu as carroças, situação indigna para animais e pessoas. Nossa capital, sob minha iniciativa, baniu o fumo em ambientes coletivos fechados – mesmo com algum “mimimi” inicial. Todas essas mudanças trouxeram no bojo alguma polêmica, mas serviram de evolução. É hora de evoluirmos também na questão dos flanelinhas, pois ninguém ficará desempregado.

Vamos oferecer cursos de qualificação, vamos dar oportunidades, mas não vamos aceitar uma função que se perpetua a partir do medo das pessoas de terem o seu patrimônio depredado.


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