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  • Valter Nagelstein

Gravidez precoce e suas consequências

- O autor é vereador de Porto Alegre, ex-presidente da Câmara.

valtern@camarapoa.rs.gov.br

Qual são as consequências na vida de uma menina de 14 ou 15 anos quando engravida?

Não é difícil prever que um dos impactos mais significativos na rotina da jovem é o fato de que muito provavelmente ela terá que parar os estudos para precocemente cuidar de uma criança.

Uma cadeia de fatos leva essas jovens mães, a maioria delas vindas de famílias de baixa renda, a abandonarem a escola de uma vez por todas, pois têm de trabalhar para sustentar seus filhos.

Diferentemente do menino de 15 anos que se torna pai, as consequências da gestação recaem radicalmente na vida da mulher – fazendo com que se perpetue uma realidade perversa para as meninas. Mesmo que consiga se inserir no mercado trabalho, ela ainda encontra novos obstáculos. Quem vai cuidar de seu filho, se muitas vezes há falta de creches, problema enfrentado por muitas cidades brasileiras, especialmente das regiões mais carentes.

Segundo dados divulgados pela Associação Médica Brasileira (AMB), cerca de 18% dos brasileiros nascidos são filhos de mães adolescentes, o que em números absolutos representa 400 mil casos por ano.

Anualmente, no mundo, são aproximadamente 16 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos; e 2 milhões de adolescentes menores de 15 anos.

O estudo, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca ainda que o risco de morte materna se duplica entre mães com menos de 15 anos em países de baixa e média renda. Outro dado importante é o de que 56% das gravidezes no Brasil não são planejadas, sendo que metade dessas gestações terminam em aborto.

Não há dúvida de que precisamos desenvolver um programa corajoso que ajude as meninas a ter um método contraceptivo seguro para evitar que ocorra a gravidez precoce indesejada, algo que nenhum governo nunca fez no Brasil e que, muitas vezes, interesses e preconceitos se levantam e destroem iniciativas nesse sentido.

É gritante o fato de que o mal maior não está sendo combatido, justamente a forma como o futuro das meninas é prejudicado e a maneira como a sociedade toda lida com essa questão – uma vez que crianças são “jogadas” no mundo e ficam expostas inclusive ao aliciamento para o tráfico de drogas e o crime, além de, em sua grande maioria, serem criadas sem o devido afeto, atenção, carinho e o principal agente transformador de uma nação: sem a devida educação.


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